Análise à Irix 15mm f/2.4 Blackstone

Nota inicial

Em 2020 no pico da pandemia do COVID-19, em teletrabalho e com poucas oportunidades para fotografar, passei algum tempo na internet a ler sobre as novidades tecnológicas do mundo da fotografia.

Num desses momentos, deparei-me com um formulário da Irix para testar material da marca. Face às circunstâncias, achei que seria uma excelente oportunidade para sair da minha zona de conforto.

Confesso que passados vários meses e sem obter qualquer resposta, não me lembrei da candidatura.

No final de julho de 2021 sou contactado pela Irix Team, que me questionou se ainda estava interessado em testar o material deles por um período de tempo. Após umas trocas de e-mail, acabamos por decidir que iria testar a Irix 15mm f/2.4 versão Blackstone e um conjunto de filtros juntamente com o suporte de filtros. Em menos de uma semana recebi todo o equipamento.

Neste texto procurarei abordar e relatar a minha experiência ao longo destes três meses e a minha opinião sobre o material.

Adianto que usei a lente apenas para o tipo de fotografia que mais faço: paisagem ao pôr-do-sol, ao nascer-do-sol, noturnos e natureza.

Quero realçar que a Irix não me ofereceu qualquer material, nem me pagou absolutamente nada por esta análise. Foi um empréstimo a prazo, ao qual aceitei o pleno das condições. É uma análise sincera e isenta.

A realidade supera, na maioria das vezes, a ficção

Sou utilizador Nikon há 5 anos. Deixei a Canon sem pensar duas vezes. Contudo, neste momento vejo com alguma apreensão, a exígua disponibilidade de lentes grandes angulares para as Nikon DSLR. Aliás, a lente mais conhecida da marca para este segmento é a 14-24mm que já soma 14 anos. Estando a marca a investir no sistema mirrorless tenho sérias dúvidas que surjam novidades para as DSLR. Outras das limitações são o tamanho dos filtros e consequentemente, o preço. Sistemas de 150mm ou de 170mm são extremamente caros e não estão ao alcance da maioria dos fotógrafos amadores.

Existem outras lentes, como a 16-35 e a 18-35, mas são lentes que em termos de qualidade ótica apresentam limitações para com as corpos atuais.

Desde cedo, quando adquiri a minha D810, decidi-me pela Tamron 15-30 f/2.8 VC USD G1. Passei imensos meses a ler análises que me indicassem o melhor caminho e decidi-me por essa. Os filtros, de 170mm, já os tinha de uma antiga colaboração com a KASE e que usara numa Samyang 14mm f/2.8.

Perante este cenário, é de valor quando existe uma marca que nos apresenta uma lente ultra grande angular e que nos dá a possibilidade de usar um sistema de filtros de 100mm. Daí que a Irix 15mm f/2.4 pode ser um cluster a considerar, para quem não tem lente grande angular e pensa adquirir uma.

A Irix

Sendo esta uma análise subordinada a um lente da Irix, creio que importa conhecer um pouco a empresa que está por detrás das diversas lentes que temos ficado a conhecer por esta internet fora.

A Irix é uma empresa Suíça, cujas lentes são fabricadas na China, recorrendo à engenharia Coreana.

O núcleo duro da empresa, é constituído por fotógrafos que possuem algum conhecimento no terreno e em diversas vertentes fotográficas.
A empresa já apresenta um vasto leque de opções óticas que vão desde a paisagem, ao retrato, à macro e recentemente a fotografia espacial, tendo lentes concebidas e criadas com especificações da NASA.

As suas lentes apresentam uma particularidade: são todas de focagem manual. Embora possa parecer uma limitação, esta é minimizada por uma particularidade que mais à frente referirei.

Da minha experiência, o que posso afirmar sem fazer spoiler, é que a precisão Suíça com a engenharia Coreana estão bem agregadas.

Podem conhecer a empresa e os seus produtos através deste link: https://irixlens.com/

A embalagem e desembalagem

Como tradicionalmente se faz, não efetuei um vídeo de unboxing. A grande maioria desses vídeos parecem-me um festim desnecessário e muitas vezes só serve parapassar uma imagem enviesada do que se pretende.

A lente veio dentro numa caixa de papelão comum, com estampa em preto e branco. Dentro dessa caixa, vem uma outra em metal com uma qualidade surpreendente. Devo referir que nunca vi nada semelhante! Por sua vez, dentro dessa caixa, vem uma bolsa rígida que abriga a lente.

Portanto, em resumo temos:
– Caixa de papelão;
– Caixa de metal;
– Lente Irix 15mm f/2.4 Blackstone;
– Tampa frontal Irix 95mm;
– Tampa traseira Irix;
– Pára-sol Irix;
– Estojo de lente rígido Irix.

Devo frisar que na caixa da transportadora, veio ainda um conjunto de filtros de 100mm da Irix Edge e respetivo suporte com um anel adaptador. Todo este material veio dentro de uma bolsa de filtros rígida.

Sendo assim, recebi também:
– Bolsa de filtros rígida da Irix;
– Anel de 95mm da Irix;
– Suporte de filtros IFH-100 da Irix;
– Filtros de densidade neutra da Irix Edge:
– CPL de 95mm;
– Soft gradual 1.5;
– Soft reverse 0.9;
– Full ND 3 stops.

Irix 15mm f/2.4 Blackstone

Como referi, a versão que recebi foi a Blackstone, a versão em metal reforçado. Existe uma outra versão mais light em termos de peso, acabamento e preço a condizer, a versão Firefly.

A Irix 15mm tem cerca de 14 centímetros. Francamente, tendo uma Tamron 15-30 acho a lente pequena e com um tamanho deveras apelativo. O peso, também em comparação à minha lente que possui mais de 1Kg, é insignificante.

Tal como todas as lentes da Irix, o foco é manual. Se o foco automático for um dos seus requisitos, então esta lente poderá não satisfazer. Contudo, eu não senti qualquer limitação e até tive alguns ganhos nos tipos de fotografia em que usei a lente, pois a lente permite bloquear a hiperfocal nas aberturas f/8, f/11 e f/16, através de um anel que se situa na extremidade mais distante da lente. Para mim foi uma vantagem, na medida em que aquelas são precisamente as aberturas que mais uso. O procedimento atrás descrito também serve para colocar o anel de foco no infinito para fácil uso em condições de baixa visibilidade.

Apesar do foco ser manual, a lente possui um módulo de contatos que permite controlar a abertura diretamente na câmara, e assim é garantido a gravação de dados no formato EXIF.

Apesar da lente ter duas versões, ambas possuem um sistema de vedação projetado para proteger a parte interna das lentes contra humidade, poeira e areia.

A Irix 15mm é uma lente projetada para ser usada em corpos com sensor FF (full frame), fornecendo uma distância focal de 15mm. Contudo, pode ser usada em sensores APS-C e passa a conferir uma distância focal de 24mm.

A lente permite usar uma vasta gama de filtros. Temos a possibilidade de usar filtros clássicos de rosca e filtros quadrados de 100x100mm ou 100x150mm, graças à existência de uma rosca com um diâmetro de 95mm na frente da lente.

Em relação ao sistema de 100x100mm ou 100x150mm, é verdade que poderá existir a limitação de termos de usar o anel adaptador e o suporte da marca, mas se tivermos um kit de filtros retangulares de 100x100mm ou 100x150mm podemos usar sem quaisquer limitações no suporte da Irix.

Nesta análise, não irei analisar a qualidade dos filtros. Posso apenas adiantar que não detetei quaisquer situações negativas em termos de cast ou perda de gama dinâmica.

Utilização no terreno

Durante estes três meses a Irix 15mm que me emprestaram não saiu da máquina. Confesso que sendo uma lente prime, tive de ser mais exigente na composição das fotos que realizei. O zoom que normalmente tenho disponível com a Tamron, não estava ao meu dispor e isso fez com que eu tivesse de ser mais criterioso para obter imagens plenas, que não tivessem de sofrer cortes, sob pena de perder qualidade e profundidade nas imagens. Foram três meses de um exercício mental muito estimulante e enriquecedor.

Posto isto, afirmo que não efetuei cortes ou reenquadramentos em pós-produção superiores a 10% do frame capturado pelo sensor.

A Irix 15mm é robusta. É feita de alumínio e magnésio. Os elementos da lente são claramente concebidos com precisão.

A Irix fez um trabalho incrível na parte da vedação, fizeram com que fosse durável e resistente às diversas condições climáticas. Utilizei a lente sob neblina e alguma chuva e a lente portou-se muito bem!

A lente possui marcas fluorescentes no anel de foco, que ajudam em situações de pouca luz para efetuar a focagem, seja ela hiperfocal ou para o infinito. O anel de foco é surpreendentemente suave. Aliás, como já fiz antever acima, a lente possui um anel na extremidade distal que ao rodar faz um click no infinito. Esta operação para os fotógrafos de paisagem pode ser um trunfo, nas sessões ao fim do dia. Também é muito útil para fotografia noturna. Eu efetuei imensas focagens a olho nu, em plena escuridão e sem necessidade de apontar fontes de luz para objetos mais distantes, como habitualmente faço.

Outro recurso interessante na lente, é o anel de travagem de foco que é particularmente útil, quando você precisa travar o foco numa determinada abertura que usará até ao fim da sessão. Se mudarmos de enquadramento, o foco está sempre garantido.

Houve diversas sessões em que usei a abertura f/16 e estando a máquina definida para essa abertura e a lente com o foco trancado na hiperfocal, só precisei de montar o suporte de filtros e dar início à sessão. Confesso que poupei imenso tempo.

A nitidez é provavelmente a parte mais pesquisada na análise de qualquer lente, e a Irix confere um boa nitidez na imagem.

Nos cantos da imagem é possível ver uns afiamentos quando se usa as aberturas f/2.4 e f/2.8. Isto é perfeitamente normal em lentes ultra grande angulares. Dessas aberturas para cima, ela melhora substancialmente, ficando ainda melhor de f/8 para cima. Sendo eu amante de paisagens, não tive quaisquer motivos de queixa.

A vinheta da Irix não é nada de assustador. Tratando-se de uma lente angular, é perfeitamente normal que possua um pouco de vinhetagem, especialmente a f/2.4, mas conforme vamos subindo na abertura ela vai desaparecendo e partir da abertura f/5.6, já quase nem se nota. Sinceramente, fiquei satisfeito com o nível de vinhetagem e quando se aplica o perfil de correção no Lightroom, ela praticamente desaparece das fotografias.

É pena que ainda não exista perfil de correção no Capture One, que é o programa que mais uso para edição de RAW para TIFF, mas estou convencido que brevemente haverão novidades.

O aspeto menos positivo que detetei, foi o aparecimento de algum coma. Situação que não verifico na minha Tamron 15-30. À medida que nos movemos do centro para os cantos, o coma mostra-se mais facilmente. Detetei este fenómeno principalmente em estrelas de algumas fotos noturnas.

A quantidade de aberração cromática é bastante baixa, mas quando verifiquei a sua existência, a aplicação do perfil de correção da lente resolveu em pleno.

Conclusão

Sendo eu proprietário de uma das melhores lentes grande angular disponível no mercado e que concorre com as primes sem qualquer limitação, seria difícil ficar muito impressionado com outra lente, mas a Irix responde bem aos desafios e é uma lente com uma taxa de usabilidade elevada.

De forma leve e corriqueira só me ocorre questionar: como é que uma lente tão pequena, consegue oferecer qualidade? O segredo estará certamente na conjugação dos elementos. Para a primeira lente criada da marca, sinto que a Irix fez um ótimo trabalho.

Gosto particularmente do facto da lente ser um bocadinho mais luminosa que a minha e embora a abertura f/2.4 não corresponda a um stop de luz em relação a f/2.8, faz diferença em condições de baixa luminosidade.

O anel de foco suave com uma escala bem calibrada e o anel de travagem de foco, valorizam a lente.

Fiquei convencido com a lente, não é perfeita, mas quando falamos em lentes do segmento ultra grande angular, a perfeição é quase impossível, pois as limitações óticas são imensas, e a geometria do vidro oferece constrangimentos naturais.

Para quem procura uma lente retilínea ultra grande para fotografia de paisagens, arquitetura e viagens, a Irix 15mm f/2.4 Blackstone é um excelente investimento.
Para além disso, em comparação com outras primes, não é nada dispendiosa. A versão Blackstone anda nos 700€ e a versão Firefly anda nos 500€.

Acho que a Irix deveria resolver a questão da qualidade dos cantos principalmente em matéria de produção de coma. Na minha experiência destes três meses é o único ponto negativo que encontrei.

Finalizando, este cilindro tem 14 centímetros, é de alumínio-magnésio, possui uma selagem contra intempéries, tem boa qualidade de imagem, não produz aberração cromática e tem um preço bastante apelativo. Creio que estas características são um excelente chamariz para equacionar a sua aquisição.

Se é um fotógrafo de paisagem, especialmente de céus noturnos ou em condições de pouca luz, esta é uma possibilidade a considerar.

Deixo-vos agora com algumas das imagens produzi durante estes três meses:

Publicado por franciscogoncalvesphotographia

Sou um fotógrafo amador e autodidata. Sou natural da linda Ilha da Madeira. Iniciei-me na fotografia em 2010 e desde então tem sido uma grande paixão revestida com imensa dedicação. Sou utilizador Nikon desde 2016, depois de ter mudado da Canon. Este espaço é dedicado a conteúdo exclusivamente sobre a fotografia. Sejam bem-vindos!

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